A direção executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou o envio de 1.177 milhões de euros ao Paquistão como parte das negociações para a reativação de um programa de empréstimos de 6.000 milhões de euros.

“O conselho do FMI aprovou a reativação do nosso programa Serviço Ampliado de Fundos (Extended Funds Facility-EFF). Devemos agora receber as parcelas 7 e 8 de 1.177 milhões” de euros, informou hoje o ministro das Finanças paquistanês, Miftah Ismail, na rede social Twitter.

O Paquistão acordou com uma delegação do FMI em julho passado o envio de 1.177 milhões de euros ao país, mas este valor dependeria de aprovação pela administração executiva da entidade financeira internacional.

Segundo a delegação do FMI que visitou o país asiático, o Paquistão está a atravessar “uma situação económica desafiadora” e destacou como duas das prioridades para o país o cumprimento da proposta orçamental para o exercício em curso e a realização de reformas no setor elétrico.

Além disso, a delegação recomendou ao país reduzir os níveis de inflação, que ultrapassaram 44% na semana passada, para entre 5% e 7% no médio prazo, além de reduzir a pobreza, aumentar a segurança social e fortalecer a governança.

Este novo envio de dinheiro elevará para 4.200 milhões de euros o valor que o Paquistão receberá do FMI desde que chegou a um acordo de assistência financeira em 2019 no valor de 6.000 milhões de euros para os três anos seguintes.

No entanto, sucessivos fracassos do Governo do antigo primeiro-ministro Imran Khan e agora do atual Executivo de Shehbaz Sharif atrasaram a sua implementação por medo de desencadear a ira pública.

Esta ajuda económica surge num momento em que o Paquistão está a ser devastado por inundações que, segundo o ministro das Finanças, causaram danos económicos no valor de 10.000 milhões de euros.

“Estimamos que essas inundações custarão inicialmente cerca de 10.000 milhões de euros para o Paquistão”, disse hoje Ismail numa conferência de imprensa em Islamabad, antes de alertar que os danos podem ser ainda maiores.

Perante esta catástrofe que já matou mais de mil pessoas em todo o país, o Governo declarou estado de emergência nas zonas afetadas pelas cheias e solicitou a ajuda do Exército para socorrer as vítimas.

Lusa/AM | Foto: DR